quarta-feira

Coritiba e Palmeiras

O Brasil conheceu o Coritiba de 2011 da forma mais assustadora possível. Com a goleada por 6 a 0 sobre o Palmeiras, o Coxa chegou à 24ª vitória seguida e 29 jogos sem perder. O time de Marcelo Oliveira joga com a bola no chão e em velocidade, com Davi pela esquerda, Rafinha pela direita e, contra o Palmeiras, Anderson Aquino centralizado num 4-2-3-1 que tem Bill à frente. O treinador monta times para jogar futebol. Pensa em marcar, anular, desarmar, mas pensa também em como suas equipes vão tratar a bola. O Coxa trata muito bem.
É isso, mas não é só isso. A intensa movimentação desnorteou a ex-melhor defesa do futebol brasileiro em 2011. No segundo gol, Bill abre pela esquerda e Davi aparece como centroavante. O Coritiba se procura e se encontra em campo. Mesmo sem Marcos Aurélio, titular na posição de Anderson Aquino.
O gol de Emerson, o sexto na temporada, o contra-ataque em altíssima velocidade no gol de Davi, a chegada em bloco que culminou na finalização de Geraldo e a facilidade de penetração de Anderson Aquino são filmes já vistos pela torcida. O gol de Léo Gago foi o primeiro do volante e o pênalti convertido por Bill, uma raridade. São 82 gols na temporada e apenas três de pênalti.
Havia a dúvida sobre a força da marca de vitórias seguidas. Eram 23 e apenas dois times de primeira divisão no caminho: os Atléticos do Paraná e de Goiás. O detalhe é que todos os anos o Coritiba enfrenta os mesmos adversários no início da temporada. A série nunca existiu até o que se presencia atualmente.
Por outro lado, o Palmeiras tinha 14 gols sofridos em 27 jogos em 2011. No estadual, 10 em 21 partidas. O campeonato paulista é fraco e omite defeitos? Pode ser. Mas o time de Scolari sofreu um gol do São Paulo de Lucas e Dagoberto, dois do Corinthians em dois jogos e nenhum do Santos de Neymar e Ganso.
O bom desempenho do Palestra não era ilusório. O ritmo surreal do Coritiba e o desânimo palmeirense no final do jogo, com dois gols nos acréscimos, resultaram nos 6 a 0. O bom trabalho do Coxa vem do ano passado com Ney Franco e tem continuidade com Marcelo Oliveira. Todos sabiam que algo acontecia no Paraná. Agora, muitos temem o Inferno Verde que se faz em Curitiba.

Cruzeiro vencia mostrando como poderia perder. E perdeu


O Cruzeiro travou. O time que melhor mostrou futebol no Brasil em 2011, dependia quase sempre da velocidade para jogar. Foi assim nas goleadas sobre Estudiantes e Tolima. Contra o Guarani do Paraguai, que atuou fechado, contou com gols de rebotes de escanteios, para golear só depois dos 40 minutos do segundo tempo. Nos 22 jogos na temporada, em apenas três esteve atrás no placar – na derrota para o Atlético e nas vitórias sobre América e Guarani.
Sem Wallyson e Thiago Ribeiro, com Farías e Ortigoza na frente, a equipe tropeçava nos próprios erros e oferecia espaço para o contra-ataque. Sem os velocistas, os laterais Gilberto e Pablo subiam para dar volume ao ataque. Deixavam espaços generosos.
O Once Caldas chegava e a alternativa era fazer faltas. Roger, na terceira vez que chegou atrasado, foi expulso. Antes disso, duas grandes defesas de Fábio e uma bola na trave. Os espaços eram idênticos no segundo tempo, mesmo com a expulsão de Carbonero, principal articulador colombiano. Por quê? Porque assim é o Cruzeiro de Cuca. Mesmo nas vitórias, o suficiente nunca era o bastante. Mesmo quando deu show e goleou, tinha problemas com o desarme no meio-campo, que subia demais, e a defesa exposta.
O gol de Amaya aos 21 não fez o time brasileiro se proteger e, em mais cinco minutos, Moreno fez o segundo. O gol mal anulado de Gilberto era de dificílima marcação.
O Cruzeiro foi o melhor time da Libertadores até as oitavas-de-final e jogou muito bem até o fatídico confronto com o Once Caldas. O bom futebol não dava à equipe o status de invencível, muito menos de Barcelona das Américas (como disseram Ronaldo Fenômeno e Diego Agirre, técnico do Peñarol). O Cruzeiro tinha falhas e elas foram apontadas aqui, neste mesmo espaço.
O time jogava bem e vencia, mas mostrava como poderia perder. E perdeu. Surpreende pelo adversário que foi e depois da vantagem conquistada. A forma da eliminação não.

qui, 05/05/11
por marcelo.bechler |
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Santos de Neymar e Ganso, mas que também se defende


O Santos é de Muricy Ramalho. O rótulo, em qualquer segmento, é ruim e reducionista. Muricy não precisa ser visto como um treinador retranqueiro, mas indiscutivelmente monta boas defesas. Dos últimos seis campeonatos brasileiros, em cinco os times de Muricy foram os que menos sofreram gols. No Santos, são oito partidas e apenas dois gols sofridos. Contra o América, com Ganso e Neymar em campo, mas sem Elano, a equipe apostou na defesa. Claudio Reinoso, técnico do América, jogou na terça, pensando no campeonato mexicano na quinta-feira – o time enfrente o Morella nas quartas-de-final da competição. Poupou Reyna e tirou Montenegro e Sánchez durante o jogo.
No primeiro tempo, o time mexicano só chegava através do jogo aéreo. Mosquera chegou a acertar a trave. Os brasileiros não conseguiam sair do seu campo e os principais talentos não tinham a bola nos pés para jogar. No segundo, depois da entrada de Reyna, o América passou a acertar também com a bola no chão. Apareceu Rafael. Cinco grandes defesas em chutes de fora da área e uma cabeçada a cara a cara.
As mudanças de Muricy deixaram o time preso atrás. O que era tendência se escancarou: a intenção é se defender bem, muito bem, e deixar a individualidade de seus ótimos jogadores definir a partida na frente. Com Neymar e Ganso apagados, a tendência é que o time crie pouco e a melhor oportunidade foi uma falta na trave de Paulo Henrique. O empate era o bastante e o 0 a 0 bastou.
Ao América, a frase desbotada pelo uso continua atual: “jogamos como nunca, perdemos como sempre”. O Santos avança, com sua defesa que funciona bem sob o comando do novo treinador e com o ataque que individualmente tem jogadores que ninguém possui na América.
Para vencer o provável confronto com o Cruzeiro vai precisar da defesa e do ataque, mas principalmente, terá que funcionar mais como time.

qua, 04/05/11
por marcelo.bechler |
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A óbvia decisão mineira e os caminhos diferentes


A decisão entre Atlético e Cruzeiro é óbvia. Em 75 dos 96 estaduais disputados, o título ficou com um dos dois. Os caminhos que levaram os clubes à decisão são diferentes. O Cruzeiro chega depois de seguidas goleadas. 42 gols marcados em 13 partidas. Na semifinal contra o América de Teófilo Otoni, 13 x 2 no placar agregado. O Atlético mudou demais, continua mudando e ainda sofrerá novas alterações depois do estadual. O time da estreia, contra o Funorte, tem Renan Ribeiro, Réver, Serginho e Renan Oliveira como titulares. Sete mudanças foram feitas.
Enquanto o time de Cuca está consolidado, é a equipe da movimentação, da velocidade e da produção ofensiva, o Atlético voltou a jogar bem no segundo tempo do primeiro jogo contra o América. Dorival fez o time se fechar mais e proporcionar o erro do adversário. Na segunda partida, com um homem a menos e perdendo por 1 a 0, venceu no contragolpe. Sem Renan Oliveira e Mancini, será menos técnico, mas terá mais velocidade para contra-atacar – tudo o que precisa no momento.
Cuca tem mais alternativas. Pode deixar o time criativo com Roger, Gilberto e Montillo, ou colocar Éverton e ganhar em velocidade. Ter a presença da área de Farias ou a movimentação de Ortigoza.
Vale a lembrança que Dorival Jr. venceu os quatro clássicos que disputou em Minas Gerais e, à exceção do 4 a 3 de 2007 (o jogo do lance entre Kerlon e Coelho), em nenhum deles era favorito, mas o Cruzeiro aparece como evidente favorito por tudo que foi mostrado em 2011. A melhora apontada pelo Atlético e a dedicação exclusiva ao estadual (o Cruzeiro pode ter um jogo contra o Santos, na Vila Belmiro, ou uma viagem ao México, antes da finalíssima) diminuem a diferença técnica do momento.

seg, 02/05/11
por marcelo.bechler |
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Corinthians e a necessidade de lutar


O Pacaembu teve mais disputa de território do que futebol para Palmeiras e Corinthians. O jogo, em alta tensão, perdeu em variações e em velocidade após a lesão de Valdivia e a expulsão de Danilo. O Palmeiras, que era melhor e empurrava o adversário para seu campo, teve de recuar. O Corinthians, com os lados do campo bem bloqueados pelas duplas Cicinho e Tinga e Rivaldo e Luan, não conseguia jogar pelo meio.
Scolari, expulso após discussão com Tite no 1º tempo, colocou Leandro Amaro e fortaleceu a defesa. Tite colocou William, para entrar em diagonal, coisa que Dentinho não fazia, e furar o bloqueio do rival. As mudanças deram certo: Leandro Amaro fez 1 a 0, após escanteio, e William empatou depois de corner. O jogo foi equilibrado como se esperava e nervoso como se poderia ter evitado.
Nos pênaltis, a mesma igualdade e um erro em doze cobranças – de João Vítor, em defesa de Júlio César.
O Palmeiras foi o time que menos errou durante o estadual. Teve problemas de criação durante a competição, mas conseguia compensar com valentia. Com um homem a menos e sem seu meia de articulação, evitou os perigos do rival e poderia ter vencido. O Corinthians chega à decisão mostrando a face da luta, de um time que se ajuda, mas ainda com falhas. Quando Jorge Henrique e Dentinho são bem marcados, a bola não chega a Liédson. Se Alessandro recebe atenção, a saída de bola é ruim.
Na decisão, contra o leve e técnico Santos, a disposição do Corinthians pode equilibrar o confronto.

seg, 02/05/11
por marcelo.bechler |
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Santos perde chance de fazer viagem tranquila ao México


O Santos era favorito contra o América do México, em condições normais. Na primeira fase, a equipe brasileira fez 11 pontos contra 10 dos mexicanos. Na Vila Belmiro, o time de Muricy, completo, poderia ter encaminhado bem a classificação para as quartas-de-final. Em nono lugar na liga nacional, Claudio Reinoso poupou Pardo, Montenegro, Sanchez e Reyna, quatro dos principais jogadores da equipe, para o confronto com o Pumas no final de semana.
O América tinha em campo um time mais jovem, porém menos técnico. Foi a Santos se defender e evitar ser virtualmente eliminado da Libertadores antes da partida da volta e conseguiu.
O Santos foi pouco intenso, acelerou pouco o jogo, quase sem contar com a subida dos laterais, com Elano participando pouquíssimo da partida, assim como Zé Eduardo. Neymar, o mais disposto a sair da mesmice, fez a jogada do gol de Ganso e tentou criar mais. Faltou ter com quem jogar. Faltou, ao time brasileiro, perceber a oportunidade de evitar sustos em Queretaro, na próxima terça.
Com a vitória conquistada e sem sofrer gol em casa, o Santos leva boa vantagem para o México, mas poderia ter garantido a classificação fosse um pouco mais corajoso.

qui, 28/04/11
por marcelo.bechler |
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Com os erros cometidos, vitória do Grêmio era impossível


O Grêmio tinha sete desfalques para enfrentar o bom time da Universidad Católica. Victor, Rodolpho, Vilson, Bruno Collaço, Lúcio, André Lima e Júnior Viçosa. Qualquer time sentiria a falta de sete jogadores, sendo quatro titulares. O jogo já seria difícil por si só. O destempero de Borges e o erro de Renato Gaúcho, escalando William Magrão para armar ao lado de Douglas contribuíram para a derrota.
No início, marcando pressão a saída de bola dos chilenos, o Grêmio conseguia se manter no campo de ataque. O gol que Douglas fez no segundo tempo, poderia ter saído no primeiro, graças ao espaço que tinha a frente da área. O recuo gremista, no entanto, era natural. Com três volantes, tinha dificuldades de criar e proporcionava o desarme ao adversário. Quando tentava se fechar, cedia espaços para Cañete. Antes do primeiro gol de Pratto, os chilenos já haviam chegado duas vezes com perigo.
A expulsão de Borges gerou a necessidade de recomposição do ataque. Escudero poderia ficar ao lado de Douglas, auxiliando na criação e se aproximando de Leandro. O segundo meia, Carlos Alberto, só entrou aos 33 minutos do segundo tempo, quando o time perdia por 2 a 1.
Vencer a Universidad Católica não seria fácil. Com a sucessão de erros que aconteceu no Olímpico, era impossível.

qua, 27/04/11
por marcelo.bechler |
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Vélez não é fantasma, mas é o pior adversário para Fluminense ou Libertad


O torcedor do Fluminense pode ter visto com bons olhos a vitória do Vélez Sársfield por 3 a 0 sobre a LDU, afinal praticamente inviabiliza um novo confronto com os algozes de 2008 e 2009. Maas os equatorianos, com o pior time desde a Libertadores vencida, seriam muito melhor negócio.
O Vélez é líder do Clausura com 21 pontos em 11 jogos. Apesar de alguns problemas na primeira fase da Libertadores, como a derrota em casa para o Universidad Católica por 4 a 3 (depois de estar vencendo por 3 a 1), é o melhor time argentino de 2011, como apontou o jornalista Renato Zanata Arnos, especialista em futebol do país.
Joga com dois laterais que apóiam muito: Cubero, mais rápido pela direita, e Papa, bastante técnico pela esquerda. Tem dois volantes, Zapata e Razzotti, que protegem a defesa e rodam bem a bola no meio. Fernández, Martinez e Morales, bem aberto, normalmente pela esquerda, trocam passes rápidos e conduzem bem a bola. O uruguaio Santiago Silva segura a bola no ataque e é a referência ofensiva da equipe. No banco, Ramirez, bom armador que veio do Godoy Cruz e pode mudar o panorama de uma partida.
É claro que o Fluminense ainda precisa eliminar o Libertad, segundo melhor 1º colocado da fase de grupos. Os paraguaios jogam muito pelos lados do campo e se fecham com velocidade na defesa. Evitar os fantasmas da LDU, em uma possível quarta-de-final, pode ser bom. Na bola, o adversário mais perigoso está esperando cariocas ou os paraguaios.

qua, 27/04/11
por marcelo.bechler |
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