domingo

Cruzeiro não caiu, mas precisa parar para pensar

Cair não é fácil para um clube grande. É preciso muito erro para encurtar a distância para as equipes com menor projeção e investimento. O Cruzeiro quase conseguiu. Depois de ser 5º lugar em 2007, 3º em 2008, 4º em 2009 e 2º em 2010, terminou como o quinto pior dentre os 20 da Série A em 2011. Acusar Zezé Perrella pelo fiasco é justíssimo, mas é preciso também entender os motivos. O Cruzeiro não caiu porque o presidente vendeu jogadores importantes. Isso foi feito diversas outras vezes nos 16 anos em que a família esteve à frente do clube. O problema foi a forma de pensar futebol. Thiago Ribeiro queria sair, Dudu não era solução, era alternativa, e tinha pressão do empresário para ser negociado. Repor com Bobô e Keirrison, pela qualidade e pelas características, é pedir para sofrer. O elenco tem Farías, Wellington Paulista, Keirrison, Bobô e Anselmo Ramón. Cinco atacantes com a mesma característica e pouca qualidade. Ortigoza é o único capaz de fazer outra função. Durante o ano, perdeu Jonathan e trouxe Vítor, que saiu do Palmeiras em baixa. Perdeu Henrique e repôs, ainda no início da temporada, com Leandro Guerreiro, machucado em grande parte do segundo semestre. Vendeu Gil, zagueiro mais seguro da equipe após a lesão e queda de rendimento de Victorino, trouxe Cribari – jogador desacostumado ao futebol brasileiro e com muitas dificuldades de adaptação. Joel Santana foi demitido após derrota para o Figueirense, em jogo que o Cruzeiro tinha sete desfalques. Era, antes daquela partida, sétimo colocado. Quando se demite o treinador nessa condição, no meio do campeonato, se pensa em contratar um top para fazer o time arrancar no segundo turno e brigar nas cabeças. A diretoria fez diferente: efetivou Emerson Ávila, treinador da base, como aposta para “tocar” 2011. A saída de Joel pode ser encarada como corte de gastos e não como planejamento técnico. Para todas as perdas, houve reposição. Ela foi mal feita, mal pensada. Em todos os casos. No orçamento familiar, alguém diria que houve “economia porca”. Zezé Perrella, cada vez mais político e menos presidente, estava cercado de amigos e não de profissionais. Eduardo Maluf sabia planejar futebol, estudar contratações e administrar problemas internos dentro do clube. Dimas Fonseca…Dimas é amigo de Zezé. O Cruzeiro errou demais. Vendeu muito como sempre, repôs mal como nunca. Pensar pouco em 2011, levou o Cruzeiro a quase perder também 2012. É bom parar para pensar. *Escrevi o texto antes da partida contra o Atlético. Achei que fosse cair e adaptei as palavras depois do jogo. Adaptei, mas não mudo uma vírgula do que pensava. 6 a 1 é a maior goleada do Cruzeiro na história do confronto. O Atlético nunca entregaria um jogo. Quanto mais um clássico podendo rebaixar o rival. Estou no Engenhão e não assisti ao que aconteceu em Sete Lagoas, mas no fim das contas, Atlético e Cruzeiro não caem e não vão nem para a Sul-Americana. Passaram vergonha juntos em 2011. Não há última impressão que mude isto.

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